O recanto dos JRA

15-08-2017

Não se avizinham tempos fáceis. Dia após dia acontecem incêndios preocupantes por todo o país. Mas porquê? 

Portugal tem cerca de 1/3 do território ocupado com floresta, a outra parte é cultivada em explorações agrícolas com culturas permanentes e temporárias. Estando tanto território repleto de árvores observamos que existem três espécies rainhas no território, o nosso eucalipto (Ouro Verde ou Petróleo Verde?), o sobreiro e o pinheiro bravo. Mas, porque é que Portugal arde tanto a cada ano que passa? O clima mediterrâneo é propício à ocorrência de fogos florestais na época quente e podendo mesmo, ainda que raro, originar as tão faladas nos últimos dias, trovoadas secas.

 

O nosso Ouro Verde // Créditos: site Globo

Além do clima, a culpa também é nossa diretamente. Há décadas que a plantação do nosso Ouro Verde está desordenada nas plantações de eucalipto e pinheiro. Graças ao abandono da floresta, Portugal passou a ter uma floresta de dinheiro virada para os interesses económicos de várias empresas como da Navigator Company e da Renova. As propriedades do nosso eucalipto não mudam, pois além de ser altamente inflamável, incendeia-se muito rápido e faz o fogo propagar-se a altas velocidades.

As nossas ações revelam-se cada vez mais fundamentais para atenuar os problemas que o nosso amigo Ouro Verde enfrenta. Portugal está a aquecer e as nossas florestas estão altamente vulneráveis às alterações climáticas repentinas. Se nada se fizer, não conseguiremos evitar a ocorrência de um incêndio com estas proporções novamente em breve, e um dia destes a mancha negra será maior que a mancha de Ouro Verde.

 

Incêndio florestal // Créditos: Antena Livre

Seguindo a lógica de um artigo meu publicado faz um ano, a floresta que queremos está estipulada em vários documentos e estratégias governamentais do nosso país. Os impedimentos, os atrasos, a falta de vontade, seja o que for, está a colocar biodiversidade e populações em risco, mas infelizmente com essa circunstância nos demos nós sempre mal. Precisamos sim duma reforma, que não o somatório de leis que estejam apenas no papel. Se a prevenção operacional teve avanços significativos, a floresta ainda não terá ganho nada que importe. A visão a longo prazo leva-nos a incorporar a tecnologia nos eixos do sistema florestal apostando no benefício para a gestão e reflorestação das áreas ardidas, assim, esta guerra deve ser ganha pela defesa da floresta e depender da ajuda de cada cidadão porque ao olhar para o programa do Orçamento do Governo podemos dizer que a floresta é um investimento pobre, pois há interesse em investir menos na prevenção e gastar mais no combate.

Por último, a ação e a oportunidade de pressionar para que haja alterações às medidas a praticar nas zonas florestais depende de todos nós. Estamos em 2017 e o nosso país está mais urbano, mais florestal e menos ordenado.


Paulo Alexandre Cardoso (jra freelancer - ABAE) 

Aluno da Escola Secundária Alves Martins do 12º ano